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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...
Rainer Maria Rilke

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


"Quero pedir-te, com quanta força tenho,
que sejas paciente com tudo
o que dentro do teu coração não foi ainda resolvido
e que te forces a gostar das tuas próprias interrogações,
como se de quartos fechados se tratasse
ou de livros escritos numa língua muito estranha.
Não procures as respostas que não te podem ser dadas
porque não serás capaz de vivê-las.
E o que importa é viver tudo.
Vive agora as tuas interrogações.
Talvez possas depois, gradualmente,
sem nisso reparares,
viver até ao dia longínquo em que entres na resposta."

Rainer Maria Rilke

sábado, 12 de fevereiro de 2011


"Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção."

Rainer Maria Rilke